Mudanças tributárias para o ICMS e Simples Nacional em 2022

Muito se discute no Brasil a respeito de uma reforma tributária abrangente, inovadora, que possibilite uma guinada na situação econômica do país e permita que as contas públicas saiam do vermelho. O ano de 2022 se inicia com diversas promessas, como a do senador Davi Alcolumbre de discutir a reforma tributária na Comissão de Constituição e Justiça, da Câmara dos Deputados, ou a do Senado Federal, para dar prioridade na tramitação do assunto.

Na prática, foram promovidas pequenas alterações no sistema tributário, fruto das leis complementares n.º 188 de 31 de dezembro de 2021 e da n.º 190 de 04 de janeiro 2022, que alteram, respectivamente, pontos relacionados ao Simples Nacional e à tributação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS.

 

 

Simples Nacional é uma forma de tributação facilitada que permite o recolhimento de vários tributos federais, estaduais e municipais em uma única guia. Além disso, empresas optantes pelo Simples Nacional estão sujeitas à alíquota mais baixa, e têm preferência em licitações. Podem optar pelo Simples as empresas cujo faturamento seja inferior a R$ 4.800.000,00, faixa de faturamento em que se encaixam as Microempresas (ME), as Empresas de Pequeno Porte (EPP) e os Microempresários Individuais (MEI) .

As mudanças trazidas pela recente lei impactam os microempresários individuais mais do que os outros portes empresariais. A partir da nova lei, os empresários do comércio e extração de minérios, e as demais atividades que o comitê gestor do Simples Nacional determinar, passam a ser habilitáveis ao Simples Nacional. No caso dos transportadores autônomos de cargas, inscritos como MEI, a LC n.º 188/2021 prevê que o limite de receita bruta anual passa a ser de R$ 251.600,00.

A lei complementar n.º 190/2022, por sua vez, altera especificamente um aspecto do ICMS referente à venda de produtos ou a prestação de serviços na qual o consumidor final reside em um Estado diferente de onde a compra originou-se.

A partir da nova lei, nas transações interestaduais feitas ao consumidor final, a diferença entre a alíquota interna do Estado de destino e alíquota interestadual do que envia o produto será devida àquele onde se adquiriu o produto. A cobrança do diferencial era aplicada desde 2015, por meio de norma do Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ), entretanto, a norma foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que a matéria deveria ser regulamentada por Lei Complementar.

A mudança se aplica aos consumidores (empresas) que receberem produtos ou serviços oriundos de outros Estados da federação, desde que sejam contribuintes do imposto. Caso o consumidor final seja pessoa física e não contribuinte do imposto, a diferença será devida pelo próprio remetente. Isso significaria um aumento de custos para o empresário que envia produtos ou presta serviços para outro Estado, mas para efeitos práticos, apenas formaliza uma prática fazendária aplicada desde 2015. Para os consumidores, nada muda.

Verifica-se então, que na prática, ambas as modificações são muito tímidas e inexpressivas em comparação com o que espera a população brasileira. Os beneficiados são categorias específicas, que detém forte apelo político, como os caminhoneiros e profissionais da mineração e, no outro caso, os empresários não se beneficiam com a modificação.

Em um contexto de retomada da economia, é necessário que toda e qualquer alteração tributária se faça para melhorar a situação do empresariado, em especial, o pequeno e médio. Se a reforma tributária será o incentivo de que os empresários precisam para retomar o crescimento, resta aguardar o trâmite legislativo. Mas já é perceptível que as alterações que dão início ao ano de 2022 não têm potencial para trazer grandes mudanças econômicas ao país.

 

Fonte: Contábeis

Compartilhe este conteúdo

Posts relacionados

produção de queijo em laticínio industrial controle de rendimento

Como reduzir perdas na produção de queijo no laticínio e aumentar o rendimento

Publicações
pagamento por qualidade do leite em laticínio

Como funciona o pagamento por qualidade do leite no laticínio

Publicações

Produção de leite em 2026: projeções, mercado e perspectivas para o setor lácteo

Publicações

Economize até 80% do seu tempo, investimento e preocupações

Transforme a sua operação com quem é referência em ERP. Agende agora a sua avaliação gratuita.

Categorias Principais

Reforma Tributária: entenda o IVA Dual e os impactos práticos para empresas

A Reforma Tributária brasileira já começou a sair do papel e promete ser uma das maiores mudanças no sistema de impostos sobre consumo das últimas décadas. No centro dessa transformação está o chamado IVA Dual, um modelo mais simples, transparente e alinhado às práticas internacionais. Se você quer entender o

Publicação
produção de queijo em laticínio industrial controle de rendimento

Como reduzir perdas na produção de queijo no laticínio e aumentar o rendimento

A produção de queijo é uma das etapas mais sensíveis dentro de um laticínio. Pequenas variações no processo podem gerar perdas significativas, impactando diretamente o custo por litro e a rentabilidade da indústria. Muitos laticínios produzem bem, mas não têm clareza sobre onde estão perdendo rendimento. E o problema nem

Publicação
pagamento por qualidade do leite em laticínio

Como funciona o pagamento por qualidade do leite no laticínio

O pagamento por qualidade do leite é uma prática cada vez mais comum na indústria de laticínios. Em vez de remunerar apenas pelo volume entregue, o laticínio passa a considerar também indicadores de qualidade que impactam diretamente o rendimento industrial e a segurança do alimento. Esse modelo cria um sistema

Publicação

Produção de leite em 2026: projeções, mercado e perspectivas para o setor lácteo

Após um período prolongado de queda nos preços pagos ao produtor, o mercado de leite no Brasil começa a apresentar sinais pontuais de estabilização. Embora ainda seja cedo para afirmar que o setor entrou em um ciclo consistente de recuperação, alguns indicadores recentes indicam uma possível recomposição gradual das margens

Publicação

Como calcular o custo por litro no laticínio e aumentar sua margem de lucro

Muitos laticínios acreditam que estão lucrando, mas não sabem exatamente quanto custa produzir cada litro de leite processado ou cada quilo de queijo. Sem essa informação clara, a precificação se torna uma aposta e não uma estratégia. Entender o custo por litro é o primeiro passo para aumentar a rentabilidade

Publicação

Split Payment na Reforma Tributária: o que é, como funciona e quais os impactos para as empresas

O sistema tributário brasileiro está passando por uma profunda transformação com a Reforma Tributária. Além de reorganizar os tributos, a nova legislação propõe uma mudança significativa na forma de cobrança dos impostos, trazendo conceitos inéditos para empresas, contabilidade e gestão financeira. Um desses conceitos é o Split Payment, também conhecido

Publicação

+20 anos sendo referência em ERP por todo o Brasil

Nós entramos em
contato com você!

Envie seus dados que logo nossos especialistas entrarão em contato.